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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O valor da solidão


Proponho uma inversão do valor negativo socialmente consagrado da solidão.
É verdade, ninguém te entende. Tirando um amigo ou outro, num momento ou outro, ninguém é capaz de intuir a sua angústia; compreender os seus dilemas; sentir suas dores; gozar contigo seus pequenos triunfos na medida em que eles se apresentam grandiosos a você mesmo. Pergunto, então, porque insistir em esperar tudo isso de algum outro e não de você mesmo? Não será um vício lamentar a incompreensão?
Penso que a solidão é, ao contrário do que dizem dela, amiga e libertadora. Ela te coloca frente a frente contigo mesmo e te propõe um auto-abraço ou nenhum abraço. Te desafia a gostar ou não de ti mesmo. Apreciar ou não a imagem que reflete só de você. Desfrutar ou não da própria companhia.
A solidão propicia o exercício do diálogo com o mais complexo dos seres com quem a vida te fará dialogar que é você.
Todos os outros desafios e dádivas não serão vividos, enfrentados e desfrutados plenamente sem que você tenha se entendido contigo.
Aprecie, portanto a solidão.